Páginas

13 de ago. de 2010

Que será do livro de papel?

O ebook não nasceu ontem, mas fo i só há alguns anos que os primeiros aparelhos voltados para a leitura do livro eletrônico (os chamados “ereaders”) surgiram, seguindo o desenvolvimento de tecnologias que tornam a leitura na tela mais agradável (como a tecnologia e-ink do kindle, que permite a leitura sem luz de fundo, tornando o ato de olhar para uma tela por um longo período mais confortável para os olhos).

E as concorrentes não ficaram para trás. Apple, Sony e outras que até então não atuavam no ramo de tecnologia, como a rede de livrarias norte-americana Barnes and Noble lançaram seus próprios er eaders. No Brasil empresas como as livrarias Cultura e Saraiva e a loja eletrônica Submarino iniciaram as vendas de livros eletrônicos. Recentemente a Amazon, que detém a maior parcela do mercado de ebooks, anunciou ter vendido mais ebooks do que livros de papel nos últimos meses. O mercado acredita, e muito, nos ebooks, mas será que isso significa o fim do livro de papel?

O ebook tem uma série de vantagens sobre o livro físico. É mais barato (não tem custos de impressão, distribuição, tem custo marginal praticamente nulo, e etc.), ocupa menos espaço, é mais ambientalmente responsável, e talvez a vantagem principal, tem o potencial de penetrar num mercado tradicionalmente resistente à leitura, o dos jovens, através da tecnologia. Por outro lado, preocupações como o aumento de pirataria levam ao desenvolvimento de proteções a propriedade intelectual na forma de DRMs (Digital Rights Management), que na prática restringem o uso do livro eletrônico e impedem o leitor de fazer com o ebook pelo qual pagou o que bem entender, como emprestá-lo a um amigo ou revendê-lo. Mas assim como os amantes da música se acostumaram a ipods e mp3 os leitores irão se acostumar ao e-ink e ao ebook.

Dificilmente o livro físico irá desaparecer de vez, mas muito provavelmente deixará de ser um produto de massa para se tornar um produto de nicho. Os preços devem aumentar, assim como a qualidade das edições, visando o leitor que valoriza o livro como objeto. As livrarias precisarão aumentar sua presença online e as editoras, como a indústria fonográf ica antes delas, terão de se adaptar a não mais terem o controle sobre a distribuição de seu produto, e negociar acordos com as empresas de tecnologia que o terão. No fim das contas o ebook deve dominar o mercado e relegar os livros de papel aos saudositas dispostos a pagar muito pela sensação do papel.

Thiago Almeida Salomão Leitão.

Nenhum comentário: